Contemplação amorosa

Encontra-se totalmente equivocado aquele que imagina que o sentimento, diferentemente das  sensações, percepções e ou faculdades representativas nos dá acesso mesmo ao objeto de forma imediata. Tal sentimento, penso, é apenas parte de uma reatividade, incompleta e momentânea de nós mesmos frente ao objeto que se nos apresenta de pronto. Há uma explicação para isso, uma mesma pessoa que em um primeiro instante nos desperta atração, uma provocação sensual, pode, em um segundo momento fazer nascer em nós saudade, ciúme, raiva e melancolia, pode até mais que isso.

Independentemente de qual seja o sentimento, ele é apenas uma representação signica, semiótica, dentro de cada um de nós, da sua completude anímica que é fora e independente de nós mesmos. Ato contínuo, percebo que tais sensações ou sentimentos, transitórios, mesmo que me desperte, não pertence ao outro, sequer a atinge posto que o “sentimento”, é, também ele, representação e não apresentação.

Em sendo assim, tais sentimentos podem ser conhecidos como um todo, todavia, somente sentido por partes e aspectos dela própria.

Não há, portanto, como se afirmar que afetuosidades possuam os mesmos valores nos pares que mantém qualquer laço de afetividade, está-se sempre em descompasso. Para tais situações resta então a contemplação amorosa como realização sem limitações, pois incompleta, de todas as nossas sensações.

#Beto Abreu

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